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Redação Tripsfera
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O recorde de lixo em Yellowstone é falha de projeto, não só de boas maneiras

Mais de 23 mil objetos retirados de gêiseres e fontes termais mostram que pedir por favor aos visitantes não basta, e que educação e fiscalização deveriam vir junto com o ingresso.

Publicado
25 de outubro de 2026
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Foto: Yellowstone National Park from Yellowstone NP, USA / Wikimedia Commons (Public domain)

Ainda é justo chamar um chapéu numa fonte termal de "achado engraçado"? O lixo de Yellowstone vira toda hora uma lista de curiosidades: AirPods, um patinho de borracha, uma única carta de Uno. A piada esconde uma história menos divertida sobre como visitamos a paisagem termal mais famosa do mundo.

Segundo a Fox News, a equipe de geologia do parque tinha recolhido mais de 23 mil objetos até o início de outubro, num ano recorde. Entre eles, cerca de 10.700 pedras e gravetos e mais de 360 chapéus.

O relatório do USGS de setembro, como informa a Outside, apontou que o volume de 2026 é 50% maior que o do ano passado. Mais de 2,64 milhões de pessoas visitaram o parque entre janeiro e julho, quase igualando o ano de maior movimento.

"Quase tudo acidental" não é o mesmo que inofensivo

Para ser justo, Margery Price, técnica de ciências físicas do Programa de Geologia do parque, disse à National Geographic: "Acreditamos que a maioria desses itens é acidental". O vento leva lenços, mapas e chapéus. Ninguém planeja destruir uma fonte com um estojo de óculos de sol.

Mas achamos que "acidental" carrega peso demais na conversa pública. A própria equipe de geologia do parque observa que parte do lixo é intencional, como cascas de laranja e de sementes de girassol. Moedas são jogadas como se as fontes termais fossem poços dos desejos. E a fonte não quer saber da intenção. Material estranho pode entupir o abastecimento de água, bloquear um canal de escoamento ou poluir a água. O lixo costuma se acumular em áreas movimentadas como Midway Geyser Basin, onde fica a Grand Prismatic Spring, e em volta do Old Faithful. A Morning Glory Pool mudou de cor no século 20 por causa do que os visitantes jogaram nela, e o parque chegou a drená-la parcialmente para retirar a sujeira.

O dano também pode ser permanente. A Outside observa que pedras jogadas no Minute Geyser por visitantes do início do século 20 foram cimentadas pelos minerais e não podem ser retiradas sem risco de mais prejuízo. Suas erupções, antes a cada 60 segundos, hoje são menores e irregulares. Esse é o custo real de um arremesso casual.

O problema de projeto que ninguém quer dizer em voz alta

Price foi direta: quanto mais gente circulando, mais lixo, "mas isso vale especialmente para bacias de gêiseres amplas e abertas com passarelas estreitas". É uma observação sobre projeto. Milhões de pessoas conduzidas por passarelas estreitas sobre um terreno aberto e ventoso vão deixar coisas caírem. Na nossa visão, a resposta não pode ser apenas torcer para que os visitantes segurem o chapéu.

Os conselhos do próprio parque são sensatos: "guarde seu lixo", prenda o chapéu e fique na passarela. Mas um conselho numa página da web chega a quem lê páginas da web. Nossa recomendação é levá-lo ao ponto de entrada e ao ponto de risco. Mensagens curtas e inevitáveis nas entradas e nos inícios das trilhas das bacias mais movimentadas ajudariam. Assim como a presença visível de guardas nos lugares que mais geram lixo. Jogar objetos em fontes termais já é ilegal, segundo o Yellowstone Volcano Observatory, então o que cabe aqui é fazer cumprir as regras que existem, não criar novas.

Há ainda um argumento de segurança. A equipe recupera os itens com varas e peneiras, e os geólogos são treinados para terreno hidrotermal. Nós, não. Todd Walton, diretor de vendas e marketing da Yellowstone National Park Lodges, alertou que muitas áreas termais ficam entre 150 e 200 graus Fahrenheit e que o solo pode ceder. Quem se sente tentado a sair da passarela para pegar um chapéu comete um erro pior do que perdê-lo.

Descuido em escala é mais difícil de resolver do que vilania

A manchete da Fox diz que visitantes imprudentes estão "destruindo" as piscinas termais de Yellowstone. Nós diríamos de outro jeito. Quase tudo isso parece descuido em escala, e isso é mais difícil de resolver do que vilania. Exige uma visita planejada em função do vento e das multidões, com expectativas claras antes de alguém chegar à passarela.

Se for, trate as regras como parte da experiência. Feche os bolsos com zíper, segure o chapéu, mantenha as moedas na carteira e fique na trilha. Se algo cair, avise um guarda em vez de tentar pegar. E, se estiver planejando uma viagem tardia, confira antes a situação das estradas: segundo o National Park Service, a maioria das estradas do parque fecha para veículos comuns no início de novembro.

Educação e fiscalização deveriam ser o preço real de entrada num lugar que talvez não tenha conserto depois de o termos amado de modo descuidado demais.

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