Aeroporto de Western Sydney é uma promessa, ainda não um motivo para reservar
O primeiro grande aeroporto novo da Austrália em mais de 50 anos abriu com poucos voos e sem trem. Até o metrô chegar, trate-o como promessa e confira o código do aeroporto.
Foto: BulbazaurREX / Wikimedia Commons (CC0)
Como chamar uma porta de entrada de uma cidade que não se liga à cidade? Sydney agora tem uma resposta, e ela foi inaugurada neste domingo. O Western Sydney International, batizado em homenagem à pioneira da aviação Nancy Bird-Walton, é uma obra de infraestrutura bonita e ambiciosa. Também está, por enquanto, bem longe de onde a maioria dos visitantes quer estar.
O que abriu e o que não abriu
Segundo o Reisereporter, o primeiro voo de passageiros, o JQ362 da Jetstar para a Gold Coast, decolou pouco depois das 11h de 25 de outubro de 2026. A Air New Zealand vem na segunda-feira com a primeira rota internacional, para Auckland. É o primeiro grande aeroporto novo que a Austrália abre em mais de 50 anos, construído em sete anos por cerca de 6 bilhões de dólares australianos (A$).
O problema é o acesso. O aeroporto fica a aproximadamente 45 quilômetros a oeste do centro da cidade. O Travelnews.ch informa que a ligação com o Sydney Metro deve ficar pronta até 2027, e que ônibus de traslado cobrem o intervalo. A Qantas só começa a operar em 28 de março de 2027, segundo o Canberra Times.
Sydney inverteu a ordem das coisas
A lição, a nosso ver, é simples: um aeroporto não é um prédio, é uma viagem. Abrir o terminal antes do trem significa que a primeira impressão dessa nova porta de entrada é um ônibus de traslado até a estação St. Marys e, depois, um trem urbano. O Reisebine calcula esse trecho de trem em cerca de 55 minutos até Central e diz que um táxi até o centro costuma custar de 90 a 130 A$ e ainda leva mais de uma hora. É um caminho longo depois de um voo de longa distância, e está longe da recepção que um projeto de vitrine merece.
Para ser justo, alguns pontos favorecem a inauguração. A obra foi rápida para os padrões de grandes aeroportos, e a rodovia M12, sem pedágio, leva direto ao terminal. O aeroporto não tem proibição de voos noturnos, uma vantagem real sobre o mais antigo Kingsford Smith. E o próprio terminal, desenhado com anciãos do povo darug e com uma parede de arenito que celebra a cultura dos povos originários, parece um lugar com identidade. Ainda assim, um bom terminal não resolve a falta de uma ligação ferroviária. Defendemos que montar a inauguração em torno do aeroporto e deixar o metrô vir depois foi uma escolha, não um acidente, e quem paga por ela, em tempo, são os viajantes.
Trate-o como promessa e confira o código do aeroporto
A oferta de voos é escassa, e as fontes ligam isso aos preços altos do combustível e à falta de aeronaves. A Singapore Airlines chega em novembro. Vietjet Air, Fiji Airways, Qantas e Qatar Airways anunciaram serviços até o fim de 2027. São anúncios, não uma malha. A demanda, como observam os analistas do setor citados pelo Travelnews.ch, levará tempo para se acomodar.
Então, o que fazer? Se a sua viagem gira em torno da própria Sydney, a baía, a cidade, um hotel no centro, nós ficaríamos com o Kingsford Smith por enquanto. O Reisebine vai além e sugere que chegar por Melbourne ou Brisbane pode até fazer sentido. Parece-nos meio drástico, mas mostra como o aeroporto é visto. Se você mora no oeste ou vai para o lado das Blue Mountains, a conta é outra, e o novo aeroporto pode ser uma comodidade.
Acima de tudo, confira o código do aeroporto antes de pagar. “Sydney” numa passagem já não significa um único lugar. Alguns voos da Singapore Airlines, por exemplo, passarão a pousar no oeste, e não perto do centro.
Veredito
O aeroporto provavelmente será uma boa ideia quando o metrô estiver funcionando e as companhias aéreas encherem o painel de embarques. Até 2060, a operadora quer que ele seja o maior polo de aviação da cidade. Hoje, é uma promessa. Espere o trem, acompanhe os horários e só reserve quando ele economizar tempo, não quando custar tempo a você.
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