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Redação Tripsfera
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Bambu vence concreto: por que ilhas resilientes merecem a sua viagem

Uma ilha das Filipinas combate enchentes com bambu e conchas de ostra, não com cimento. Quem viaja para o litoral precisa saber distinguir adaptação real de enfeite.

Publicado
31 de outubro de 2026
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E se a coisa mais interessante que uma ilha pode oferecer a um viajante não for uma praia, mas uma resposta inteligente ao mar? A pergunta soa pretensiosa até você olhar o que acontece nas Filipinas, onde uma comunidade deixou de apostar no concreto e passou a apostar no bambu.

A ilha é Pamarawan, na baía de Manila. Como a AFP informou de Malolos, os moradores passaram anos elevando as casas com camadas de cimento para lidar com as enchentes, mas a água continuava chegando. Então adotaram um método menos convencional: uma barreira de bambu e conchas. Outras reportagens descrevem armadilhas de sedimentos feitas de bambu e conchas de ostra usadas no lugar de muros de concreto, e uma reportagem do Ecoinventos diz que a água invade com regularidade ruas e casas por causa da elevação do nível do mar, do afundamento do solo e dos tufões.

O mar não é um problema que se resolva cobrindo o chão de concreto

A primeira lição é quase constrangedoramente simples: os moradores fizeram primeiro o que parecia "sensato". Levantaram as casas com cimento, camada após camada, e mesmo assim se sentiam ameaçados. Na nossa visão, essa é a história do desenvolvimento costeiro em miniatura. O concreto parece ação porque dá para ver, tocar e fotografar. E costuma tratar o sintoma, que é a água na sala, e não a causa.

A causa, segundo as reportagens, é dupla: o mar sobe e o chão afunda. O mesmo padrão aparece em outras partes do país. Na ilha de Pugad, também nas Filipinas, um pesquisador citado pelo El Debate classifica o afundamento do solo como "alarmante", causado pelo bombeamento excessivo de água subterrânea e agravado pela elevação do nível do mar associada ao aquecimento. As reportagens sobre Pugad também afirmam que o nível do mar nas Filipinas sobe três vezes mais rápido que a média global. No mundo, segundo a Eumetsat, o nível médio do mar subiu mais de 11,5 centímetros desde 1992, e o ritmo está acelerando. Um muro construído para a maré de ontem parece uma aposta ruim.

Barreiras suaves fazem lugares melhores e, achamos, viagens melhores

Aqui nos afastamos um pouco da tese arrumadinha de que "proteção natural equivale a destino que vale a visita". As reportagens que temos falam de bambu e conchas de ostra, não de manguezais, e não apresentam Pamarawan como destino turístico. Seria desonesto vendê-la como tal. Não sabemos nada sobre acesso de visitantes, hospedagem ou se forasteiros são sequer bem-vindos, então ninguém deve fazer as malas com base nisso.

Mas o princípio vale para outros lugares. Um litoral defendido por material vivo ou biodegradável costuma parecer um litoral: com textura, irregular, vivo. Um litoral defendido por uma laje cinza parece infraestrutura. Viajantes raramente cruzam um oceano para admirar infraestrutura. Achamos que os lugares que mantêm a beira da água com cara de costa, e ainda protegem quem vive ali, serão os que envelhecerão melhor como destinos.

Há também um argumento humano. As reportagens descrevem moradores escolhendo outro caminho depois que o cimento falhou, e não um plano imposto de cima para baixo. Comunidades que se adaptam nos próprios termos tendem, pelo que vimos lendo histórias assim, a ser aquelas cuja cultura continua intacta quando você chega. É a qualidade que os viajantes dizem querer, a "autenticidade", e raramente se encontra em um resort cercado de muros de contenção.

Como valorizar isso sem bancar o especialista

Primeiro, desconfie. Muitos destinos logo vão anunciar litorais "baseados na natureza" porque a expressão vende. A história de Pamarawan é uma boa régua: a prova é que os vizinhos, segundo o Ecoinventos, já notam a diferença, o que é um teste melhor que um folheto. Acrescentamos uma ressalva nossa: os primeiros resultados de uma ilha não são um veredito sobre o método, e as reportagens não dizem por quanto tempo a barreira vai resistir nem como ela se sai num tufão forte.

Então o que o viajante deve fazer? Perguntar antes de reservar. A pousada ou a cidade explica como lida com alagamentos? A resposta é mais do que um muro novo? Escolha operadores que falem abertamente de erosão e ressaca, gaste no comércio local e visite de modo a não aumentar a pressão sobre litorais frágeis. E não trate resiliência como um item de checklist. É sinal de um lugar atento.

Nosso veredito: as ilhas que merecem ser premiadas não são as de muros mais altos, mas as que têm a relação mais honesta com a água. Pamarawan, com seu bambu e suas conchas, não é um anúncio de férias. É algo mais útil: um sinal de como é uma boa adaptação costeira e um padrão para cobrar de todo destino de frente para o mar, da baía de Manila até onde a sua próxima viagem levar.

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