Peneda-Gerês precisa de guardas e limites, não só de um novo programa
Portugal aprovou um programa especial para seu único parque nacional. Só será boa notícia se limitar a pressão de visitantes e pagar pessoas em campo, e não apenas promoção.
Foto: José Amorim / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Um regulamento basta para proteger uma montanha? Portugal está prestes a descobrir. O governo acaba de aprovar um novo programa especial para a Peneda-Gerês, único parque nacional do país, e a tentação será comemorar a papelada. Preferimos esperar para ver quem aparece para fazê-lo valer.
A papelada está aprovada; o difícil, não
Segundo o comunicado do Conselho de Ministros de 29 de outubro de 2026, o governo aprovou uma resolução que atualiza os limites do parque e adota seu Programa Especial, com regras para proteger a natureza, apoiar as atividades tradicionais da população local e "ordenar o turismo". O Jornal Económico acrescenta que o objetivo é conciliar a conservação com as necessidades dos moradores, dos municípios e das atividades econômicas tradicionais.
Isso é o que a documentação que temos informa, e não é muito. Não há limites de visitantes, número de funcionários nem orçamento. Quem disser hoje que o programa "resolve" alguma coisa está chutando. O que vem a seguir é a nossa leitura, e é uma opinião.
Um equilíbrio não é um plano de proteção
A linguagem oficial fala em conciliar: natureza, moradores, prefeituras, meios de vida tradicionais. É um objetivo justo. Pessoas vivem e trabalham nessas montanhas há muito tempo, e um parque que as trate como obstáculo vai fracassar. Mas "equilíbrio" também é a palavra a que os governos recorrem quando querem evitar escolher.
Na nossa visão, o turismo é o item dessa lista com os freios mais frouxos. Agricultores e prefeituras conseguem se fazer ouvir. Visitantes não se organizam e, pela nossa experiência de como funcionam as áreas naturais populares, tendem a se concentrar nos mesmos fins de semana de sol, atrás da mesma cachoeira e do mesmo mirante. Se o programa "ordena" o turismo apenas encaminhando as pessoas para trilhas e experiências aprovadas, isso é marketing com mapa anexado. Ordenar de verdade exige números: reservas ou limites nos pontos mais frágeis, fechamentos sazonais quando o terreno precisa descansar e estacionamentos que terminem na entrada, e não à beira da água.
Regras sem guardas são decoração
Há uma história de alerta nas notícias de hoje. A CBC informa que a Parks Canada está fechando pelo menos 13 destacamentos de guardas e que, quando um destacamento fecha, não há fiscalização em campo; o novo sistema depende de guardas regionais serem deslocados. Um ex-guarda citado na reportagem alertou que um plano regional poderia contribuir para o esgotamento da equipe quando as pessoas já estão no limite. Outro país, outro parque, a mesma lição: uma regra só é tão forte quanto a pessoa que consegue chegar a tempo ao início da trilha.
Aplicaríamos esse teste à Peneda-Gerês. O programa vem acompanhado de guardas, veículos, manutenção de trilhas e multas que de fato sejam cobradas? Não sabemos dizer, porque a documentação não diz. É justamente por isso que a pergunta importa. Um programa bem redigido com um posto de guardas vazio é pior do que nenhum, porque dá a todos a impressão reconfortante de que alguém está no comando.
O melhor que o visitante pode fazer é viajar com mais critério
O programa acabou de ser aprovado; quando o texto completo estiver disponível, leia. Se você está planejando uma viagem, vá fora dos fins de semana de pico, hospede-se nas aldeias em vez de apenas passar de carro e compre de produtores locais. Essa é a parte de "apoiar as populações" que qualquer um de nós pode fazer neste mês.
Nosso veredicto: aprovar o programa é a metade fácil. Ele só merece aplausos quando aparecer a rubrica orçamentária para o pessoal do parque, quando os limites de visitantes nos lugares mais movimentados estiverem escritos em números e quando a primeira temporada mostrar alguém fazendo-os valer. Até lá, os parabéns são prematuros, e a montanha não vai ler o decreto.
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