Asuka mostra que a placa da UNESCO é largada, não linha de chegada
Asuka limita estacionamento, cobra taxas e lança veículos lentos poucos meses após a inscrição. Todo novo sítio do Patrimônio Mundial deveria ter um plano para visitantes antes da placa.
Foto: 663highland / Wikimedia Commons (CC BY 2.5)
E se a coisa mais inteligente que um sítio do Patrimônio Mundial pode fazer for se planejar para as multidões antes de comemorar? A vila de Asuka, na província japonesa de Nara, parece um estudo de caso de como fazer exatamente isso, e de como isso ainda é raro.
Em 26 de julho de 2026, a UNESCO inscreveu Asuka-Fujiwara, como noticiou o Asahi Shimbun, na reunião do comitê em Busan. A inscrição abrange 19 sítios componentes na vila de Asuka e nas cidades de Kashihara e Sakurai. Agora, com a primeira temporada de outono desde a inscrição em andamento, o News On Japan informa que alguns negócios turísticos da vila viram o número de clientes dobrar ou triplicar. Também relata que a vila instituiu, até 15 de novembro, um estacionamento só com reserva no túmulo de Ishibutai nos fins de semana e feriados, e passou a cobrar por um estacionamento que antes era gratuito.
O plano já estava em andamento antes dos aplausos
O detalhe revelador é o momento. O carrinho elétrico de passeio de Asuka começou a circular em maio, segundo o News On Japan, e o Mainichi já descrevia em junho, antes da inscrição, diretrizes para visitantes e moradores. A vila não esperou a placa para descobrir que tinha um problema de trânsito.
Essa é a parte que mais nos convence. A inscrição é um evento de marketing, seja qual for a intenção da UNESCO. Um sítio deixa de ser "conhecido por entusiastas de história" e vira "imperdível" da noite para o dia, e os guias, as operadoras e as redes sociais reagem mais rápido que qualquer prefeitura. Asuka parece ter entendido que o dano acontece na distância entre essas duas velocidades.
A vila também tinha memória a que recorrer. O News On Japan lembra o Asuka Boom, que começou em 1972 após a descoberta dos murais de Takamatsuzuka, quando cerca de 1,8 milhão de pessoas por ano chegavam a uma comunidade de aproximadamente 6 mil habitantes. Vieram lixo, invasões de propriedade e a rotina perturbada, e o resultado foi a Lei de Asuka, de 1980. Uma vila que já viveu o overturismo o trata como um risco conhecido, não como surpresa.
Boa gestão é, em grande parte, tornar a opção lenta a mais fácil
Nem toda medida é igualmente engenhosa. Proibir o estacionamento de carros sem reserva é uma medida bruta, e a reportagem admite que alguns visitantes chegaram sem saber e precisaram ser redirecionados. Chamaríamos isso de problema de comunicação, não de falha da ideia, mas mostra o quanto uma regra depende de a informação chegar às pessoas antes de saírem de casa.
As melhores ideias são as que tornam a alternativa atraente. Um veículo elétrico de baixa velocidade, aberto nas laterais, com motorista e guia, percorre um trajeto de cerca de 5,8 quilômetros em 70 minutos. Scooters de três rodas com assento dispensam carteira de habilitação, e o GPS corta a potência se o condutor entra em uma área protegida. Não sabemos dizer se esse último recurso funciona tão bem quanto o descrito, já que temos apenas a reportagem. Mas o princípio é certo: não se dá sermão em multidões, desenha-se o percurso.
Isso também combina com o que Asuka realmente oferece. Como observa o japan-guide.com, grande parte do encanto está na paisagem, e não em prédios monumentais, porque a maioria dos sítios são fundações, montes e pedras entalhadas. É um destino feito para caminhar, pedalar e andar em veículos lentos, e pouco adequado a uma fila de ônibus de turismo.
Toda nova inscrição deveria vir com um plano para visitantes
Esta é a nossa posição: comitês de inscrição e governos nacionais deveriam tratar um plano crível de gestão de visitantes como parte do pacote, e não como um detalhe posterior. Autoridades japonesas disseram isso na época. O vice-ministro Shigeki Kobayashi afirmou a jornalistas que a inscrição "não é o objetivo, mas também um novo ponto de partida".
Muitos lugares dizem isso. Poucos têm sistemas de reserva e transporte alternativo funcionando quando chega o primeiro outono. O prefeito de Asuka disse, segundo o News On Japan, que a vila não precisa de um aumento passageiro de popularidade, e achamos que essa é exatamente a ambição certa para um lugar cujo valor está nos tranquilos arrozais e na arqueologia que existe sob eles.
A abordagem de Asuka é perfeita? Provavelmente não. Taxas e reservas transferem custos para os visitantes, e o teste de verdade virá depois de 15 de novembro, quando as regras sazonais acabarem e as multidões talvez não.
O que fazer se você for
Vá, mas do jeito que a vila quer. Chegue a Asuka de trem, e não de carro: o japan-guide.com calcula o trajeto de Kintetsu em cerca de 40 minutos a partir de Osaka e 50 a partir de Nara. Use os veículos lentos ou uma bicicleta e, se for de carro, confira as regras de reserva antes de sair. Visite em dia de semana, se puder, embora a reportagem indique que grupos de turismo também estão chegando nesses dias.
A verdadeira lição vai além de Nara. Quando um lugar ganha os holofotes do mundo, o melhor presente para ele e para seus moradores é um plano que já estava pronto.
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