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Reims está em alta para 2027. Champagne precisa dosar o crescimento

A Booking.com incluiu Reims entre os destinos em destaque para 2027. A oportunidade é real — mas também é necessário distribuir as visitas para além dos pontos óbvios.

Publicado
20 de outubro de 2026
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Foto: Diliff / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O que acontece quando uma cidade vira moda antes de ter tempo de se preparar para a fama? Reims, a capital de Champagne, acaba de se tornar um caso particularmente interessante. A Booking.com incluiu a cidade entre os destinos em alta para 2027, colocando um lugar muitas vezes tratado como um bate-volta de Paris diante de viajantes em busca de algo menos previsível.

É uma boa notícia — mas não necessariamente uma notícia simples. Reims já recebeu 16 milhões de visitantes em todo o seu território em 2024, segundo a prefeitura de Reims. Uma lista de tendências pode ampliar o público, especialmente no exterior, mas também concentrar a atenção nas mesmas caves, nos mesmos locais históricos e nas mesmas ruas do centro. A questão não é saber se Reims merece os holofotes. Merece, sem dúvida. A questão é se essa visibilidade pode ser convertida em visitas mais bem distribuídas, em vez de uma corrida ainda mais acelerada.

Reims é exatamente o tipo de lugar que uma lista de tendências deveria promover

A história do turismo na França costuma ser contada a partir de um pequeno grupo de ícones globais. Reims oferece uma alternativa mais convincente do que outra lista com os destinos óbvios. A cidade tem uma identidade forte, uma experiência urbana compacta e funciona como porta de entrada para a paisagem de Champagne. O escritório de turismo local destaca visitas guiadas, tours por caves, vinhedos e locais da UNESCO — não uma única atração, mas um roteiro completo, capaz de recompensar quem fica em vez de apenas passar.

Isso importa porque uma lista preditiva pode fazer mais do que prever a demanda. Ela pode moldá-la. A Booking.com afirma que suas previsões para 2027 identificam os destinos que os viajantes têm maior probabilidade de visitar no próximo ano, e Reims aparece ao lado de lugares como Christchurch e Rosario em sua seleção internacional, como informa a Booking.com. Em nossa opinião, o valor da lista está menos na capacidade de prever o futuro do que em ampliar o mapa de lugares que os visitantes internacionais consideram dignos de uma reserva.

Reims também tem provas de que seu apelo não foi simplesmente fabricado por um algoritmo. Em 2024, o território recebeu 16 milhões de visitantes, 1% a mais do que no ano anterior. Um relatório separado, publicado em agosto de 2025, descreveu o turismo como já tendo crescido mais de 8% em comparação com 2024, com visitantes internacionais ajudando a impulsionar o aumento, segundo L’Union. A Booking.com está amplificando um movimento que já existia, não criando algo do zero.

O risco real é a concentração, não a popularidade

Reims não precisa se desculpar por atrair visitantes. Em nossa opinião, o perigo é medir o sucesso apenas pelo número de chegadas, enquanto a experiência dos visitantes e a capacidade local ficam em segundo plano.

Os números disponíveis já mostram por que o planejamento é importante. Dados oficiais mais antigos da região de Grand Reims registraram 1,1 milhão de diárias em hotéis em 2018, com estrangeiros respondendo por 38% desse total. O mesmo estudo constatou que a oferta hoteleira havia encolhido ligeiramente, mesmo com o aumento da ocupação. Esses números não são uma previsão atual, mas ilustram uma tensão estrutural: a demanda pode crescer mais rápido do que a quantidade de quartos ou do que a capacidade dos lugares de recebê-la com conforto.

Há um movimento encorajador do lado da oferta. Um relatório do setor publicado em 2025 afirmou que seis novas marcas de hotéis deveriam abrir até 2026, incluindo cinco empreendimentos quatro estrelas. Isso pode ampliar as opções, mas mais quartos, sozinhos, não constituem uma estratégia de distribuição. Se todo novo hóspede for direcionado aos mesmos pontos turísticos centrais e aos mesmos horários de pico nas caves, a cidade simplesmente ficará mais cheia de uma maneira mais confortável.

É aqui que Reims deveria resistir ao manual convencional do turismo. O objetivo não deve ser fazer com que todos os visitantes sigam a versão mais fotogênica da cidade. Deve ser ajudá-los a compreender o destino mais amplo: os vinhedos, o patrimônio além dos pontos principais e as experiências locais que as autoridades de turismo já promovem. Uma visita bem-sucedida a Reims deve ser cheia de camadas, não processada em série.

Champagne precisa de estadias mais longas, não apenas de mais chegadas

A melhor defesa contra um aumento repentino é o tempo. Um bate-volta pode gerar um fluxo impressionante de pessoas, mas deixa relativamente pouco espaço para que empresas locais, bairros mais tranquilos ou a paisagem ao redor se beneficiem. Uma estadia de duas ou mais noites — sem fingir que todo viajante escolherá essa opção — cria mais oportunidades de distribuir os gastos e as visitas ao longo do calendário.

É também por isso que Reims deveria encarar a menção da Booking.com como um convite para melhorar a jornada, não apenas como divulgação gratuita. Conexões mais claras entre as visitas à cidade e os vinhedos, orientações mais consistentes sobre períodos menos movimentados e um acesso cuidadosamente administrado às caves poderiam transformar a atenção em uma forma mais generosa de turismo. A cidade não precisa esconder suas experiências mais famosas; precisa impedir que elas se tornem as únicas experiências que os visitantes conseguem encontrar facilmente.

Essa abordagem também protegeria o caráter que torna Reims atraente em primeiro lugar. Destinos “subestimados” muitas vezes se tornam atraentes porque ainda oferecem textura: ruas comuns, negócios em funcionamento e locais culturais que não foram reduzidos a cenários. Se o crescimento apagar essa textura, a lista terá sido bem-sucedida comercialmente, mas terá falhado como recomendação de viagem.

A lista é um teste útil para a capacidade de gestão do turismo

A seleção da Booking.com deve ser vista como um sinal, não como uma garantia. Os comportamentos de busca e reserva podem revelar para onde a atenção está se deslocando, mas não conseguem decidir sozinhos quantos visitantes um destino pode receber de uma vez, quais comunidades deveriam se beneficiar ou o que precisa ser protegido. Essas são questões de política pública e gestão.

Reims está bem posicionada para responder a elas porque já tem uma oferta reconhecível e uma base turística consolidada. Também tem a chance de demonstrar que o próximo grande destino da França não precisa se transformar em uma versão menor e mais lotada de um ícone conhecido. O modelo vencedor combinaria a confiança de uma grande atração com a contenção de uma região vinícola que entende o valor da paciência.

Nosso veredito: reserve Reims, mas não a trate como uma parada rápida para marcar presença. Fique tempo suficiente para ir além do que está nas manchetes, use a cidade como porta de entrada para Champagne e escolha experiências que distribuam seu tempo e seus gastos. Para o destino, a seleção da Booking.com é uma oportunidade. O verdadeiro prêmio será provar que a atenção internacional pode ser administrada sem transformar a descoberta em outra forma de turismo excessivo.

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